enquanto espero

duas crianças soltam bolinhas de sabão com canudos de refrigerante tão antigas, numa janela alta, soltar ar no buraco do espaço que recorta o vento

 

sabão com membrana transparente furta-cor

una furtiva lacrima ao mundo, ver o desenho

a coisa solta, fazendo coisas com o vento

 

são crianças que vêm talvez da índia, talvez de Bangladesh, Sri Lanka ou mesmo Paquistão, mas talvez sejam também portuguesas. ou talvez sejam somente o que se chama de crianças portuguesas.

as famílias das brincadeiras dos anos quarenta assopram no parapeito

e é de tal modo banal o momento em que a bolha desaparece, é de tal modo especial

o momento em que a bolha desaparece, gotículas

 

espalham-se por toda a parte, dando ocasião ao nada

 

 

bernardo

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